Civil-RJ: necessidade de concurso fica evidenciada

A exemplo de José Mariano Beltrame, que deixou a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, o delegado Fernando Veloso saiu da Chefia da Polícia Civil. Tais demissões serviram não só para fragilizar ainda mais o setor, como também para alertar sobre os diversos problemas enfrentados, em um cenário de crise econômica. Fernando Veloso disse ao jornal O Globo que, além da carência de mais de 10 mil policiais, a corporação viu, nos últimos anos, cerca de 500 policiais civis se aposentarem, o que tem atrapalhado os trabalhos.

Tais declarações reforçam a necessidade de a Polícia Civil do Rio voltar a realizar concursos periódicos, nos próximos anos, a exemplo do que vinha acontecendo antes da baixa do preço do petróleo e da crise financeira do estado. A expectativa é que, tão logo o governo do Rio recupere as finanças, as seleções voltem a ser realizadas. Segundo Veloso, é preciso que isso aconteça o mais rápido possível. “Somente em 2016, pelo menos 500 policiais se aposentaram, e não houve reposição de pessoal em número suficiente. Hoje, a Polícia Civil é formada por dez mil pessoas, quando o quadro deveria ter 23 mil. Posso garantir que, se a corporação tivesse 30 mil integrantes, não faltaria trabalho para todos”, disse o delegado ao Jornal O Globo.

A Polícia Civil tem dois pedidos de concursos na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag-RJ), que não foram autorizados por conta da crise. São para 100 vagas de delegado (bacharéis em Direito e ganhos de R$17.033,22) e para 92 de perito legista (graduação e R$7.829,45). Um terceiro concurso era defendido por Fernando Veloso, mas não chegou a ser apresentado ao governo. Trata-se da seleção de investigador, cargo que exige apenas o nível médio e conta com ganhos de R$4.454,93. O anúncio da pretensão de fazer esse concurso foi feito pelo ex-diretor da Academia de Polícia Sylvio Terra (Acadepol), delegado Georges Toth Junior, e confirmado por Veloso.

A ideia da Polícia Civil era fazer o levantamento das vagas e, após o cenário de crise, entregá-lo ao governo, formalizando um pedido de concurso. A expectativa é de que o novo secretário de Segurança, Roberto Sá, e o novo chefe da Polícia Civil, que será anunciado a qualquer momento, continuem cobrando do governo esses concursos. Na corporação, faltam 2.545 investigadores, 220 delegados e 170 peritos legistas.

Folha Dirigida

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